quinta-feira, 25 de novembro de 2010

PATRIMÔNIO MATERIAL E IMATERIAL

"Esse breve texto tem por objetivo levantar algumas questões sobre o tema do patrimônio e a diversidade, complementando alguns aspectos importantes para a sua reflexão e discussão.
O patrimônio cultural é humano, coletivo e concreto – no sentido de que está localizado no tempo e no espaço social.
O patrimônio é utilizado pelos grupos humanos não apenas para simbolizar, representar valores abstratos; ele também é importante para comunicar (experiências, traços identitários) e agir na vida em sociedade. O patrimônio, de certo modo, constrói e forma as pessoas, nós, como sujeitos sociais.
No Brasil, durante mais de 60 anos, as noções sobre patrimônio estiveram ligadas principalmente à idéia de nação, enfatizando, sobretudo, o “patrimônio histórico e artístico nacional”, e restringindo, em geral, o imenso acervo do patrimônio cultural da sociedade brasileira, ou seja, a sua diversidade, às expressões de apenas algumas de suas matrizes culturais, as de origem européia. Até bem pouco tempo, as práticas de preservação, no país, eram identificadas apenas pelo tombamento (expressão técnica que se tornou usual e até corriqueira), cujo instituto foi criado pelo Decreto-lei nº. 25, de 1937, criando quatro Livros do Tombo para as inscrições de bens culturais.

Até o decreto nº. 3.551, de 2000, que instituiu o inventário e o registro dos bens imateriais ou intangíveis do patrimônio (Livros de Registros: Saberes, Celebrações, Formas de Expressão, Lugares), aqueles bens ainda não apresentavam, pela legislação em vigor, os requisitos para integrar os bens do patrimônio do Brasil.
Novas concepções sobre patrimônio – observadas também em países africanos e no Oriente (como no Japão) – vêm se consolidando, e seriam bastante influenciadas pelas contribuições de áreas do conhecimento como a Antropologia, a Estética, a História etc. Elas destacam fortemente a importância da diversidade étnica, cultural em oposição ao conceito de cultura como “a” cultura, civilizada e erudita.
No caso brasileiro, ao se instituir o Registro de Bens Culturais de Natureza Imaterial, o poder público – atendendo a demandas da sociedade civil – ampliaria as possibilidades das práticas e das disputas preservacionistas.
Com o alargamento do conceito de patrimônio cultural, incluindo o patrimônio imaterial (de todos os cidadãos e acima dos interesses particulares) o foco, hoje, está na preservação dos bens (escritos, sonoros, visuais etc.), das formas de criação e de expressão – pelos Livros de Registros – considerando que esses bens constituem práticas sociais entranhadas na vida cotidiana das diversas populações e fazem parte dos chamados direitos culturais. O que se busca, também com esses Registros, é garantir a preservação da memória, da história e a coesão dos grupos sociais, além da produção, da divulgação e, também, da formação de público para as manifestações culturais em curso.

Por fim, nesse breve texto, é preciso ressaltar que quando se fala em patrimônio imaterial ou intangível, não se está se referindo a abstrações ou àquilo que não é material. O bem imaterial sempre tem uma dimensão material, pois ele demanda um suporte físico que permite a sua comunicação (corpo, argila, instrumentos musicais e cantadores, papel, vestimentas etc.) e uma dimensão simbólica, reveladora dos sentidos atribuídos a esses bens pelos grupos que o produzem e que se consideram representados por esses.
Ao abordar práticas do patrimônio na escola o professor poderá pesquisar e refletir sobre essa indissociabilidade entre materialidade e imaterialidade da cultura, evitando "fragmentar” ou “partir” a cultura humana, como se apenas uma parte de suas manifestações fosse material e outra imaterial. Fica aqui, então, uma sugestão para se pensar sobre atividades pedagógicas que considerem essa indissociabilidade generosa dos bens do patrimônio que nos convidam a abordá-lo com cautela, respeito e alma de pesquisador... "Mariza Guerra 25 de agosto de 2010.

                        Fonte(Materiais didáticos para Diversidade-UFMG-2010)


      BASEADO NO TEXTO DE MARIZA GUERRA OS ALUNOS DO Iº ANO DESCREVERAM O PATRIMÔNIO MATERIAL E IMATERIAL DO INSTITUTO SÃO JOAQUIM ATRAVÉS DE DESENHOS.










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